ADAPTAÇÃO, CONTINUIDADE E REVERSIBILIDADE -

ADAPTAÇÃO, CONTINUIDADE E REVERSIBILIDADE

Compartilhe com seus amigos!

Esta semana vou falar para vocês sobre alguns princípios do treinamento esportivo que estão sendo muito comentados e questionados nas mídias sociais devido a necessidade de nos mantermos em quarentena, são eles: Princípio da Adaptação, Princípio da Continuidade e Princípio da Reversibilidade.

Todos esses princípios estão baseados na fisiologia, mais precisamente nas respostas fisiológicas aos estímulos imposto ao nosso corpo.

Adaptação

Ou seja, capacidade de se ajustar as mudanças metabólicas necessárias para suportar estímulos e conseguir voltar a homeostase (equilíbrio fisiológico). Cada vez que realizamos uma série de exercícios provocamos mudanças fisiológicas como aceleração do coração, aumento da ventilação, ativação do sistema linfático, drástico aumento de produção de energia nos mecanismos intracelulares, mobilização de fontes energéticas. Só que estas adaptações são agudas, ou seja, no momento do exercício. Quando terminamos a sessão nosso corpo precisará recompor as reservas energéticas, e se preparar para reagir com mais velocidade na próxima oportunidade. Esse é o Princípio da Adaptação, nosso metabolismo se reajustando para dar respostas fisiológicas mais eficazes. Nesse âmbito, o condicionamento cardiovascular melhora porque melhora a perfusão, diminui a resistência periférica, melhora a função da bomba cardíaca, realiza-se mais difusão nos alvéolos e capta-se mais oxigênio, as células aumentam suas reservas energéticas, as mitocôndrias são replicadas e nossos núcleos celulares são estimulados a produzir mais proteínas e hormônios. É a maravilha do resultado do treinamento físico. A pílula mágica que faz você ter um metabolismo mais responsivo a qualquer tipo de mudança e que direciona o estímulo à construção da massa muscular, massa óssea e utilização das reservas de gordura para produção energética. A coisa mais linda da natureza! Rsrsrsr…

Continuidade

Contudo temos que permanecer provocando estímulos para a adaptação fisiológica, caso contrário, nosso metabolismo, muito inteligente, começa um retorno ao ponto inicial, ou seja, descondiciona já que, não tendo mais esforços, não precisamos manter reservas maiores, produzir mais enzimas e nem garantir reserva respiratória. Esse é o Princípio da Continuidade. São necessários estímulos de tempos em tempos para que nossa mecânica fisiológica mantenha-se promovendo mudanças para suportar os esforços. Dependendo do tecido que estamos analisando e da intensidade do treino realizado, o tempo de intervalo entre um treino e outro pode ser diferente. Séries de treinamento de força, por exemplo, se direcionadas para resistência muscular podem ser repetidas 2 a 3 vezes na semana, quando pensamos em treinos com foco em hipertrofia, pode ser que um único esforço provoque adaptações por mais de 72 horas e assim dar a adequada continuidade para o resultado desse grupo muscular específico pode muito bem ser 1 ou 2 treinos por semana. Enfim, precisaremos sempre estimular que nosso corpo mantenha o processo de adaptação, para isso, devemos ter continuidade.

Reversibilidade

Caso não mantivermos o treino de forma e frequência adequadas estaremos entrando o Princípio da Reversibilidade, ou seja, perdemos as adaptações causadas pelos estímulos contínuos das séries de treinamento e voltamos para a estaca zero. Em quanto tempo isso ocorre? Pesquisas em treinos de força afirmam que após duas semanas sem estímulos de treino já começamos a observar a redução do tamanho das células musculares, sendo a perda de massa muscular mais agravada após 5 semanas sem treino. Para a condição aeróbia, isso demora um pouco mais. Dependendo do seu condicionamento físico inicial pode levar de 2 a 4 semanas para sentir a falta de fôlego para as atividades antes realizadas com muita facilidade. Agora se você ficar parado, em 10 semanas você volta à estaca zero.

A mensagem que fica depois dessa revisão é que precisamos nos manter treinando, pela vida toda! E se por acaso em algum momento como nessa quarentena você tenha que reduzir a frequência ou a intensidade das sessões por estar em casa, não desanime. Para quem continua se exercitando, mesmo em quantidades inferiores as de costume, a redução da massa muscular pode começar a ser significativa somente após 5 semanas. Então, vale muito a pena manter-se firme nos treinos.

Por sua saúde eu peço: quarentena ativa!

Forte abraço


Compartilhe com seus amigos!

Dra. Clarissa Rios

Médica e educadora física

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *