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ATIVIDADE FÍSICA E CÂNCER DE MAMA

Em meados de 1990 a Fundação “Susan G. Komen for the Cure” criou o OUTUBRO ROSA, data celebrada anualmente para promover a conscientização, compartilhar conhecimento, e, despertar a atenção para a prevenção do câncer de mama que em 2020 afetou mais de 2,3 milhões de mulheres no mundo. Esse tipo de tumor é o mais prevalente entre as mulheres na população brasileira e, também, o que mais leva à óbito, 18.068 só no ano de 2019.
Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer) em 2020 cerca de oito mil casos de câncer de mama, no Brasil, tiveram relação direta com fatores comportamentais como o consumo de bebidas alcoólicas, excesso de peso, e o sedentarismo.
Hoje vou escrever para vocês sobre como o exercício físico pode ser um grande aliado no combate a vários tipos de câncer, vocês vão entender como um corpo fisicamente ativo pode se beneficiar ao ponto de reduzir o risco de sofrer de vários tipos de câncer ou ainda, para os pacientes que já trataram essa afecção, em reduzir as chances de recidiva.
Existe um grande corpo de evidências epidemiológicas que concluem que aqueles que participam de níveis mais altos de atividade física têm uma probabilidade reduzida de desenvolver uma variedade de cânceres em comparação com aqueles que praticam níveis mais baixos de atividade física.
Mais de 73 estudos observacionais entre cortes e casos-controle examinaram a associação entre câncer de mama e atividade física. Estes concluíram que existe uma associação estatisticamente significativa na redução do risco de câncer de mama entre 39% e 40%. Os tipos de atividade física que proporcionaram as maiores reduções no risco de câncer de mama foram as recreativas, domésticas e ocupacionais, com reduções de risco associadas de 21% e 18%, respectivamente (FRIEDENREICH, C.M., 2011). Ao considerar a intensidade da atividade física necessária para fornecer uma redução no risco de câncer de mama, tanto as de intensidade moderada quanto as vigorosas proporcionam reduções significativas no risco, na ordem de 15% e 18%. Agora, a magnitude da redução do risco de câncer de mama não aumenta proporcionalmente com maiores volumes de atividade física, ou seja, não é necessário treinar todos os dias em grande quantidade, mas sim, manter a rotina de ser ativo. Quanto a relação entre atividade física e os cânceres de mama de ordem genética/familiar, comprovou-se ao comparar mulheres com história familiar de câncer de mama que eram ativas, a redução de risco associada à atividade física na ordem de 1%, enquanto a redução de risco entre mulheres sem história familiar de câncer de mama é de 21%. Assim, mesmo que definidos geneticamente há uma chance de não sofrer deles se você for fisicamente ativa.
Você precisa ser fisicamente ativo! Não tenha dúvida que sua vida vai mudar!
Você sabia, também, que manter um nível ótimo de balanço energético (ingestão versus gasto calórico diário) está associado à prevenção primária do câncer, maior sobrevida após o diagnóstico e recorrência de câncer primário? (SCHMITZK, 2011; LYNCH B.M., 2011). Estar com sobrepeso, obeso ou fisicamente inativo contribuiu com 26% do risco total de desenvolver câncer colorretal e foi atribuído a 159.000 óbitos relacionados ao câncer desse tipo, no mundo, em 2001. Em um grande estudo de coorte prospectivo de mais de 900.000 adultos americanos, o aumento dos índices de massa corpórea (IMC) foi associado ao aumento das taxas de mortalidade para todos os tipos de câncer combinados e em vários sítios específicos, entre homens e mulheres (CALLE E.E., 2003). E, se não bastesse, homens e mulheres com os mais altos índices de massa corporal (IMC ≥ 40) têm 52% e 62% mais chance de morte por câncer, em comparação com aqueles com IMC <24,9.
Vejam só a importância de cuidar o consumo calórico e manter uma boa composição corporal? O que você está esperando para começar a fazer exercícios regulares e melhorar as suas escolhas alimentares?