Arquivos hormonio - Dra. Clarissa Rios

TESTOSTERONA O HORMÔNIO ANTIENVELHECIMENTO

Quem me acompanha sabe que sou fã da testosterona! Esse artigo escrevi para contar um pouco sobre ela e suas atribuições em nosso metabolismo.

Testosterona é o hormônio fabricado pelos testículos do homem e em menor quantidade pelos ovários e glândulas suprarrenais da mulher, sendo assim, é importante para a regulação metabólica em ambos os sexos, nas suas devidas proporções, é claro!

Tem importantes funções anabólicas e androgênicas, e, como muitos pesam, não atua somente sobre a massa muscular, ele age também sobre as zonas de crescimento dos ossos, influencia o desenvolvimento de praticamente todos os órgãos do corpo humano, e é o responsável pelo desenvolvimento das características sexuais masculinas (órgãos sexuais, produção de espermatozoides, pelos, barba, voz, etc., e tendo impacto direto na distribuição da gordura corporal, dando a nítida diferença entre a silhueta masculina e feminina.

Para os homens a redução de testosterona pode apresentar alterações clínicas importantes. Entre as mais relatadas estão a falta de libido (aquela vontade de namorar!), bem como da ereção masculina; o acúmulo de massa gorda ao redor dos órgãos abdominais; e a perda severa de massa muscular (sarcopenia), também estão mais presentes nos homens com déficit nas concentrações de testosterona. Enfim, a redução de testosterona implica em um envelhecimento prematuro do metabolismo masculino. Alguns estudiosos tem chamado essa fase de declínio do hormônio de “andropausa”, como o período de menopausa, tão conhecido pelas mulheres. Porém a definição mais aceita é a de “Síndrome do Envelhecimento Masculino” que começa com as reduções de testosterona a partir dos 35 anos e realmente mostra sinais clínicos na quinta década.

Apesar de em menor quantidade no metabolismo feminino, também é evidente a sua necessidade. Da mesma maneira que para o sexo masculino, ela contribui para a manutenção do libido, massa muscular e óssea nas mulheres. É relatado ainda a sua importância no controle do humor. Contudo, em uso abusivo, como temos visto, infelizmente, na mídia nos últimos tempos, há a virilização feminina, aquelas mulheres com corpos muito musculosos, masculinizados, engrossamento da voz, hipertrofia do clitóris e surgimento de pelos, inclusive em região de barba!

Existe alguma forma de prevenir a falta de testosterona no envelhecimento?

A falta de testosterona é prevenida com uma alimentação adequada, principalmente rica em verduras, legumes e frutas; além do treinamento de força de forma regular. Os exercícios que estimulam o crescimento muscular também contribuem para o aumento e manutenção da secreção hormonal do testosterona. Outro ponto a se destacar no controle do testosterona é o estresse e ansiedade. Estes estados emocionais aumentam a secreção do cortisol, hormônio contrarregulador da testosterona, reduzindo a sua secreção. Portanto, quem leva uma vida mais saudável tende a ter menor alteração na secreção de testosterona durante o envelhecimento.

E se você acredita que está em falta desse hormônio, agende uma consulta médica e avalie suas dosagens sanguíneas, pode ser que você esteja precisando de reposição.

– Como tratar a falta de testosterona?

A falta de testosterona é diagnosticada por exames laboratoriais e sinais clínicos. Para os pacientes que apresentam sintomas que implicam na redução da qualidade de vida, é interessante que possamos utilizar o hormônio de forma exógena, sintética, para que o metabolismo consiga permanecer funcionando adequadamente. Benefícios da modulação hormonal para os pacientes que tem testosterona baixa, são muitos, entre eles: restauração de massa óssea, melhora da força muscular e composição corporal, restauração da libido e função sexual.

Pensa só que coisa boa! Eu sou a favor!

A testosterona é fundamental tanto para homens como para mulheres!

Hormônio de crescimento emagrece?

O sistema endócrino é o grande maestro no nosso metabolismo. A partir da secreção hormonal regula o funcionamento dos órgãos e, com certeza, está diretamente ligado ao processo de armazenamento ou queima de energia.

Entre os vários hormônios produzidos em nosso corpo, destacarei neste texto o GH – Human Growth Hormone (Hormônio de Crescimento) ou Samatotropina, muito falado nos dias atuais como um importante acelerador do processo de emagrecimento. Liberado em maior quantidade durante a noite, apresenta diversos pequenos picos diários a depender do nível de atividade física e da alimentação do indivíduo. Como sempre escrevo um pouquinho sobre a fisiologia, lá vai… Sua liberação é controlada por um hormônio hipotalâmico, o GHRH (“Growth Hormone Release Hormone”). Este, por sua vez, estimula a porção anterior da hipófise a liberar o GH. Este terá ação sobre o fígado que produzindo pequenas proteínas chamadas de somatomedinas, ou fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF-I e IGF-II conhecidos como: “Insulin-like Growth Factor”), atuando sobre os ossos, músculos e o tecido adiposo.

Suas principais funções são:

  • Aumento de captação de aminoácidos e da síntese proteica e redução da quebra das proteínas;
  • Acentuação da utilização de lipídios e diminuição da utilização de glicose para obtenção de energia;
  • Estimulação da reprodução celular (crescimento tecidual);
  • Estimulação do crescimento da cartilagem e dos ossos;
  • Atua positivamente na qualidade do sono, no humor e em processamentos cognitivos;

Muitas pessoas tem utilizado o GH para aumentar a hipertrofia e reduzir gordura corporal. De fato isso funciona. A mais de três décadas o GH foi sintetizado e é utilizado para o tratamento de diversas doenças relacionados ao crescimento. Devido aos seus efeitos potencializadores do crescimento muscular, bem como sua característica lipolítica, tem sido utilizado para o tratamento da obesidade no intuito de reduzir o tecido de gordura, bem como no processo de envelhecimento buscando melhorar a massa muscular, com bons resultados. Contudo, utilizar de forma exógena algo que é produzido por nosso metabolismo, nunca reproduzirá os mesmos efeitos. A liberação dos hormônios apesar de ter uma relação forte com nosso ciclo circadiano, também é influenciada diretamente por nossas atividades do dia a dia e, então, apresenta uma melhor variação natural de secreção. Isso não acontece quando é prescrito de forma medicamentosa. Ademais, nosso metabolismo tem complexidades que ainda não são conhecidas pela ciência! O mesmo GH está sendo estudado por um grupo de pesquisadores da USP que já descobriu um efeito que pode interferir negativamente no processo de emagrecimento. Em uma pesquisa com camundongos chegaram à conclusão que a perda de peso desencadeia o aumento dos níveis de GH, o que de certa forma parece bom, mas não é bem assim. Os maiores níveis de GH no hipotálamo ativam neurônios chamados AgRP, que dificultam a perda de peso porque aumentam a sensação de fome. Esta função seria semelhante a executada por outro hormônio conhecido como “Hormônio da Saciedade”, a Leptina.

Os dados estão descritos no artigo Growth Hormone regulates neuroendocrine responses to weight loss via AgRP neurons (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6368581/pdf/41467_20 19_Article_8607.pdf). Os pesquisadores acreditam que o sinal cerebral para a fome é o próprio GH.

Como se pode ver há controvérsias sobre o uso, bem como seus benefícios e desvantagens. Muito ainda precisará ser estudado e testado para ser considerada uma estratégia segura para o emagrecimento. Mas, há formas de se estimular a produção de GH que, com certeza, contribuirão para o seu processo de emagrecimento, começando pelo exercício físico!

Fato que precisa ser destacado aqui é que o
exercício físico é o mais poderoso estimulador
da produção de GH, bem como modula a sua
atividade e característica molecular.

O exercício provoca uma disruptura homeostática estimulando a liberação de hormônios como GH, IGF-1, testosterona e estradiol. Na verdade até mesmo os fatores psicológicos e a antecipação ao esforço já estimulam o aumento dessa secreção. A ativação catecolaminérgica reduz a insulina, aumenta o glucagon e o GH e, será tanto maior quanto mais intenso for o exercício. Isso, por sua vez, também estimulará a produção de opiáceos
endógenos, que inibem a produção de somatostatina pelo fígado, um hormônio que reduz a liberação de GH.

A prescrição do treino quando voltado para aumentar o GH deve ser realizado iniciando-se por estimulação de grandes grupos musculares e depois o trabalho mais isolado (pequenos grupos musculares). O GH começa a aumentar com 10 minutos de exercício e o pico máximo ocorre por volta dos 50 minutos e permanece mais alto até 2 horas de pós treino.

Para quem quer ganhar mais massa muscular é interessante treinar com intervalos pequenos entre uma série de exercício e outra já que o aumento do lactato e dos Íons de hidrogênio livres são sinalizadores para a produção hormonal que estimula a hipertrofia. Ademais, exercícios de característica muito aeróbia e de baixa intensidade ofertarão ácidos graxos (lipólise) como fonte de energia e pouparão o glicogênio. Esse excesso de lipídios inibirá a produção de GH. Na mesma lógica, excesso de gordura na alimentação pré-treino também reduzirá a produção de GH durante o exercício. Outra dica interessante para as pessoas que estão querendo ganhar massa muscular é utilizar o treinamento de força com oclusão. Uma técnica já reconhecida de aumento da estimulação da hipertrofia muscular e aumento da secreção de GH, com a redução do fluxo sanguíneo para a musculatura durante o exercício.
O “Jejum Intermitente” também estimula a produção de GH (prometo que escreverei em breve sobre esse assunto), assim como o consumo de carboidratos ante de dormir aumenta a quantidade de insulina na corrente sanguínea e reduz a produção noturna de GH.

Destaco por fim, a diminuição da secreção de GH e sua associação com o envelhecimento. Por muito tempo ele foi considerado o segredo para a juventude. Porém, sabemos que a queda desse hormônio é inevitável com o passar dos anos (em torno de 25%) a cada década, chegando-se a terceira idade já com quantidade ínfima disponível. Ele contribui para as alterações de qualidade de sono, acúmulo de gordura e perda de massa muscular e óssea.

Depois de toda essa conversa, a dica mais importante sobre o Hormônio de Crescimento, no momento é: faça a sua parte (exercício intenso + alimentação saudável) para mantê-lo em quantidades elevadas no seu metabolismo e desfrute dos benefícios que ele produz de forma natural.