Arquivos Avaliação fíica - Dra. Clarissa Rios

IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO FÍSICA

Agende sua Avaliação Física

Somos todos da mesma espécie, porém diferentes em muitos aspectos. Cada indivíduo traz em seu código genético informações de outras gerações e essas são transformadas por nossa exposição ambiental. Por esse “pequeno” detalhe, não podemos imaginar que uma mesma receita de nutrientes e treino podem ser utilizadas, igualmente, para várias pessoas e que essas terão o mesmo resultado, não é mesmo?
Então, ao invés de começar o seu processo de mudança de estilo de vida e emagrecimento replicando a dieta da vizinha ou copiando o treino da “blogueira” do Instagram, faça uma avaliação da sua composição corporal e aprenda por qual caminho iniciar. A avaliação da composição corporal deve ser uma das primeiras atitudes para quem busca realizar um treinamento específico para as suas necessidades, bem como é fundamental para a checagem de resultados e propostas de ajustes de treinos. Treinar sem avaliar é “fazer qualquer coisa”! Esse tipo de atitude reduz muito as chances de atingir os resultados almejados. Cada um com seu treino, para as suas necessidades específicas, esse é um dos princípios de treinamento esportivo: individualidade biológica. Quem treina igual a todo mundo e sem avaliação criteriosa da composição corporal não está fazendo o melhor treino.


Vou contar aqui um pouco da história da avaliação da composição corporal, que remonta de séculos passados. No início no século XIX temos registros das primeiras tentativas de entender do que era composta nossa massa corporal. Através de autopsias eram avaliados e pesados os componentes corporais. No final do século XX a curiosidade em relação a esse tema aumentou muito, levando cientistas a desenvolverem vários métodos preditores, mas, antes de escrever sobre eles, vou discorrer um pouco sobre o que compõe o nosso peso. Podemos dividir nossa massa corporal em: massa livre de gordura (massa muscular, massa óssea, massa de órgãos), massa gorda, líquidos corporais (plasma sanguíneo, água e linfa), minerais, proteínas, células e bactérias. Para o levantamento dos componentes podemos utilizar os métodos: direto, indireto e duplamente indireto.
O primeiro só pode ser realizado pós morte, então, deixaremos de lado (rsrsr). Entre os indiretos temos: Pesagem Hidrostática, Dexa, Pletismografia, Ultrassonografia, Ressonância Nuclear Magnética e outros como a Hidrometria (água duplamente marcada com isótopos), Análise de Ativação de Nêutrons (NAA), Potássio Corporal Total (TBK) e Excreção Urinária de Creatinina, todos eles dependentes de análises bioquímicas de sangue ou excreção urinária de 24 horas. Todos esses métodos são mais utilizados em pesquisas científicas e pouco úteis para o dia a dia da avaliação corporal em clínicas médicas ou academias, devido aos seus alto custos. Acredito ser importante destacar aqui um deles, o Dexa (Absortometria Radiológica de Dupla Energia), mais conhecido como EXAME DE DENSITOMETIA ÓSSEA.
Ele é um exame realizado de rotina para mulheres em faixas etárias acima de 40 anos, na busca de diagnósticos de osteopenia e osteoporose. É uma técnica e escaneamento que mede diferentes atenuações de dois raios “X”, que, passando por nosso corpo, medem três componentes corporais: massa de gordura, massa livre de gordura e massa óssea. Apresenta custo elevado e exposição à radiação, porém é muito fidedigno e fácil de realizar. Aliás se você já fez algum dia uma densitometria óssea, no resultado deve constar o percentual de gordura corporal, espia lá!

Os métodos mais frequentemente utilizados para a avaliação da composição corporal são os duplamente indiretos, pois, são menos rigorosos, apresentam melhor aplicação prática, menor custo financeiro, podem ser aplicadas em ambiente de campo e clínico e também utilizados em grande escala (avaliar grupos grandes de pessoas em pouco tempo). Entre eles os mais comuns são a bioimpedância e a aferição de dobras cutâneas e perímetros. Estes três métodos são utilizados por nós na DoctorFit, que temos um cuidado especial com o procedimento de avaliação física, já que entendemos a sua importância para definição e ajustes de treinos, bem como para o controle dos resultados.

O método mais conhecido, sem dúvida é a avaliação das dobras cutâneas de tecido adiposo, aquele que se faz com o plicômetro (a do beliscão como o pessoal costuma dizer!). O pinsamento e medição realizada em milímetros em diversos pontos corporais tem como resultado uma somatória de gordura subcutânea que precisa ser adicionada a equações que irão predizer o percentual de gordura corporal existente. Como essas equações foram produzidas a partir de populações diferentes e de vários países do mundo, é comum um fator de erro grande, então a escolha da equação mais adequada para você deve ser feita pelo profissional que está avaliando, com a intensão de resposta mais fidedigna. É um método avaliador dependente, então deve ser sempre executado pelo mesmo profissional, de preferência na mesma hora do dia, com o mesmo equipamento e, com certeza, utilizando sempre a mesma equação, no intuito de aumentar a precisão que pode chegar a um fator de erro de 16%.
A bioimpedância tem se tornado mais conhecida nos últimos anos, é uma forma não invasiva de avaliação da composição corporal, que eu gosto muito. Este método é realizado a partir da impedância elétrica que está baseada na condução de uma corrente elétrica indolor, de baixa intensidade que, aplicada ao organismo por meio de cabos conectados a eletrodos ou superfícies condutoras, que são colocados em contato com a pele. A impedância, dada pelos valores de reactância e resistência, é baixa no tecido magro, onde se encontram, principalmente, os líquidos intracelulares e eletrólitos, e alta no tecido adiposo. A partir dessa análise é calculado os pesos de tecido livre de gordura (proteínas, minerais, água corporal, massa óssea e massa muscular esquelética) e o tecido de gordura, tendo como resultados os valores absolutos em quilogramas, além, do percentual de gordura estimado. Um método excelente, se realizado em equipamentos de boa precisão (geralmente essas balanças mais simples, de uso doméstico, que são compostas por impedâncias, podem não ser precisas, então tenha cuidado para praticar esse controle da composição corporal sozinho). Esse método deve ser realizado com o paciente em jejum de pelo menos 3 horas, após micção, sem uso de café ou outros diuréticos nas últimas 12 horas antes do exame, com roupas leves (a roupa tem alta reactância e pesa como gordura), preferencialmente em dia off de treino.
Existem equipamentos bipolares, quadripolares e octapolares. Os bipolares são o de menor precisão. Para esses temos dois tipos: as balanças onde o indivíduo sobre e a corrente elétrica passa de uma perna para a outra, avaliando o percentual de gordura dos membros inferiores e, a partir desde, estimando o tecido de gordura dos membros superiores e as impedâncias de mão que de forma invertida avaliam a composição corporal dos membros superiores e estimam a concentração dos tecidos nos membros inferiores. Dessa maneira o fator de erro da análise aumenta muito, principalmente para as pessoas que tem maior concentração de gordura no quadril e coxas e pernas. As quadripolares melhoram a aferição porque estimam membros superiores e inferiores. Já as octapolares podem estimar separadamente todos os membros e ainda o tronco, sendo possível, portanto, a análise da gordura central (visceral), aquela relacionada diretamente com o risco de doenças cardíacas.
Não deixe de realizar a sua avaliação física pelo menos a cada três meses de treino e seus resultados poderão ser muito melhores.


Ficou com dúvida? Deixe suas questões nos comentários!