Dra. Clarissa Rios, Autor em

Relação entre envelhecimento masculino e a falta de testosterona

No mês de novembro voltamos a atenção para a saúde do homem, sim esses “guris” como chamamos de onde venho, que costumam não serem tão cuidadosos quando o assunto é médico e exames de rotina!

De acordo com as estatísticas homens tem menor expectativa de vida do que as mulheres. Eles morrem mais e mais cedo porque apresentam maior incidência de comportamentos de risco como: tabagismo, elitismo, direção ofensiva, etc. Mas, também, porque não têm uma rotina de realização de consultas médicas como as mulheres que anualmente vão ao ginecologista.

É preciso modificar essa realidade, pois muitas doenças e alterações metabólicas poderiam ser detectadas durante o processo de envelhecimento, sendo tratadas precocemente e assim, evitar o surgimento de doenças. Na área esportiva, chamo a atenção para a importância do diagnóstico da Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, o DAEM.    

Você já ouviu falar em um hormônio chamado Testosterona? Ele é um hormônio fabricado pelos testículos do homem e em menor quantidade pelos ovários e glândulas suprarrenais da mulher. Tem importantes funções anabólicas e androgênicas. Ele atua principalmente sobre as zonas de crescimento dos ossos, influencia o desenvolvimento de praticamente todos os órgãos do corpo humano, é o responsável pelo desenvolvimento das características sexuais masculinas (órgãos sexuais, produção de espermatozoides, pelos, barba, voz, etc.) e tem impacto direto na distribuição da gordura corporal, dando a nítida diferença entre a silhueta masculina e feminina. A testosterona é fundamental tanto para homens como para mulheres! 

Quando os níveis de testosterona estão alterados, os homens e mulheres podem apresentar sintomatologia importante. Como estamos no novembro azul, vamos falar sobre os impactos no sexo masculino. Homens com redução de testosterona podem apresentar: falta de libido (aquela vontade de namorar!), bem como redução na potência e tempo de ereção; podem perceber o acúmulo de massa gorda ao redor dos órgãos abdominais, com o aumento da circunferência do abdome; e, a perda severa de massa muscular (sarcopenia). Enfim, a redução de testosterona implica em um envelhecimento do metabolismo masculino.

Para prevenir a falta de testosterona no envelhecimento é necessária uma alimentação adequada, principalmente rica em verduras, legumes e frutas; além do treinamento de força de forma regular que estimula o crescimento muscular; Outro ponto a se destacar no controle da testosterona é o estresse e ansiedade. Estes estados emocionais aumentam a secreção do cortisol, hormônio contrarregulador da testosterona, reduzindo a sua secreção. Portanto, quem leva uma vida mais saudável e regula melhor o humor, tende a ter menores alterações na secreção de testosterona durante o envelhecimento.

Contudo, mesmo com o estilo de vida mais saudável, existe a tendência metabólica da redução de testosterona a cada década de vida, principalmente após os 50 anos de idade.    

Como tratar a falta de testosterona? 

A falta de testosterona é diagnosticada por exames laboratoriais e sinais clínicos. Para os pacientes que apresentam sintomas que implicam na redução da qualidade de vida, é interessante que possamos utilizar o hormônio de forma exógena, sintética, para que o metabolismo consiga permanecer funcionando adequadamente. Benefícios da modulação hormonal para os pacientes que tem testosterona baixa, são muitos, entre eles: restauração de massa óssea, melhora da força muscular e composição corporal, restauração da libido e função sexual. 

@dra.clarissa_rios 

Entendendo o Diabetes Mellitus

No Brasil 12,5 milhões de pessoas têm o diagnóstico. A prevalência da doença é algo em torno de 8 a 9% da população e deixa o nosso país no 4° lugar no ranking mundial em número de afetados, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Em 2018 a estimativa da OMS eram 16 milhões de brasileiros com este diagnóstico. Dados mais recentes divulgados pela ONG Diabetes atlas apontam que existem 463 milhões de adultos com diabetes em todo o mundo, sendo o tipo II responsável por cerca de 90% dos casos. O diabetes está entre as 10 principais causas de morte no mundo, com quase metade ocorrendo em pessoas com menos de 60 anos.

Com estes números, pode-se afirmar, sem medo, que o diabetes é uma epidemia global e vários fatores desempenham papel importante para este crescimento, entre eles destaco três: obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada. Você tem algum destes?

O diagnóstico do Diabetes Mellitus se faz através de exames e sintomas. A avaliação  glicemia de jejum com valor maior ou igual a ≥126 mg/dL ou valor maior ou igual a 200mg/dL após 2 horas da ingestão de 75g de glicose no teste de tolerância oral, ou ainda hemoglobina glicada maior ou igual a 6,5% são diagnósticos da doença. Se o paciente apresenta sintomas clássicos de hiperglicemia  ou crise hiperglicêmica com uma glicose aleatória maior que 200mg/dL, também define diagnóstico. Mas, se o paciente não apresenta sintomas clássicos, deve-se ter dois testes positivos para definir o diagnóstico de diabetes.

Valores entre 100 – 125 mg/dL na glicemia de jejum, 140-199 no teste de tolerância oral à glicose e hemoglobina glicada entre 5,7-6,4%, já colocam o paciente na posição de maior risco para a doença.

A Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia), excesso de açúcar.

A grande maioria das pessoas acredita que só terá diabetes aquelas pessoas que comem açúcar em excesso, mas isso não é verdade! A DM ocorre, em uma grande maioria de pessoas, por vários mecanismos alterados ao mesmo tempo. Comer açúcar em demais, lembrando que os carboidratos entram nessa balança pois se transformam rapidamente em açúcar quando absorvidos, causa uma resistência do nosso metabolismo em interpretar a informação de que tem excesso de glicose na corrente sanguínea. Para entender melhor esse mecanismo vou fazer uma analogia com o café. Se você é um tomador diário de café forte não seve sentir os efeitos colaterais do excesso de cafeína como taquicardia e falta de sono, porque os seus receptores corporais estão tão acostumados com a substância que não são mais sensibilizados, necessitando de cada vez mais café para você ter esses efeitos estimulantes. Na diabetes os receptores celulares não estão mais sendo ativados pela insulina, da mesma forma que eram antes, para abrir a porta para a entrada de açúcar para dentro da célula, fazendo com que a glicose aumente de concentração na corrente sanguínea. Esse mecanismo alterado damos o nome de RESISTÊNCIA À INSULINA, ou seja, a redução da captação de glicose para os metabolismos intracelulares.

A consequência dessa falha reflete no pâncreas, nosso órgão responsável por secretar a insulina através de suas células ß-pancreáticas, que com o passar do tempo começa a ter a sua secreção deteriorada. O final dessa falha é a necessidade de começar a usar a insulina exógena através de injeções diárias para o controle da glicemia, já que seu corpo vai parar de produzir a quantidade necessária para seu funcionamento.

Os mecanismos interligados relacionados a falta de insulina para sinalizar a abertura dos receptores celulares ou receptores sem mais sensibilidade para ser abrirem, causam um acúmulo de glicose no sangue e falta de açúcar dentro das células. Isso mesmo, a corrente sanguínea estará com altas concentrações de açúcar, porém as células estarão sinalizando para nosso metabolismo que estão precisando de açúcar para produzir energia! Olha que situação difícil! Nesse momento teremos um aumento da produção hepática de açúcar (neglicogênese – o fígado utilizará outros substratos como a gordura para formar glicose) aumentando ainda mais a quantidade de glicose no sangue. Os rins começaram uma jornada intensa de reabsorção de açúcar, ou seja, não deixarão que moléculas de glicose sejam eliminadas pela urina, trazendo-as de volta ao sangue circulante. Aumentam também outros mecanismos de lipólise (quebra de gordura para formar glicose) e por isso diabéticos descontrolados ou muito avançados costumam perder muito peso em pouco tempo.

Ainda se observa o aumento da produção de glucagon, um hormônio responsável por buscar mais açúcar no metabolismo e jogar na corrente sanguínea aumentando as concentrações de glicose. E para completar, teremos a redução dos efeitos incretínicos, ou seja, o estímulo dos hormônios produzidos pelo trato gastrointestinal e liberados quando ingerimos alimentos e estes chegam ao intestino, não são mais tão eficientes para sinalizar a necessidade de secreção de insulina.

Viram só? São muitos mecanismos que contribuem para o mal controle do açúcar corporal. Claro que o papel do excesso da ingesta vai aumentando a chance dessas alterações ocorrerem. Portanto, preste atenção na informação abaixo para o diagnóstico do pré-diabetes, o melhor momento para começar a tratar com bom prognóstico.

E sobre as dúvidas mais frequentes a respeito da diabetes, uma das mais comentadas é sobre o consumo de carboidratos. Entende-se até hoje que um dos grandes problemas da alimentação do diabético está na ingesta de carboidratos e açúcares, alimentos que estimulam a secreção de insulina e que aumentam a quantidade de açúcar no sangue. Para você ter uma ideia o carboidrato é o nutriente que tem maior efeito sobre a glicemia, 100% do que é ingerido se transforma em glicose, a proteína, por exemplo, entre 30% e 60%, pode ser transformado e a gordura, somente 10%. Portanto, quando se é diagnosticado com essa doença é essencial entender como esses alimentos agem em nosso metabolismo, a quantidade por porção que pode ser ingerida e as possíveis substituições alimentares para os carboidratos de alto índice glicêmico.

As substituições por alimentos não industrializados já ajudarão muito no seu controle do açúcar, escolha a batata, inhame, macaxeira, ao invés do arroz branco e do macarrão. E tome cuidado com o cuscuz e a tapioca que têm bastante quantidade de carboidratos! Então, se você é diabético ou está na faixa do pré-diabetes, procure um nutricionista para descobrir quantas calorias você deve ingerir por dia para manter-se saudável.

Muitos são as complicações do Diabetes Mellitus, porém, vale ressaltar que uma glicemia bem controlada diminui as chances de desenvolver doenças em órgãos alvos. Um dos locais mais afetados pelo excesso de açúcar no sangue são os rins, cuja principal função é a filtração do sangue. Com a sobrecarga de açúcar os rins acabam perdendo moléculas de proteínas para urina, a chamada microalbuminúria, na fase avançada a complicação é considerada doença renal terminal que necessitará de transplante do órgão ou sessões regulares de hemodiálise. O acúmulo de glicose no sangue também causa danos nos nervos, a neuropatia, que pode causar formigamento, dor, fraqueza e perda de sensibilidade. Esta última pode dificultar a percepção de calor, frio ou algum machucado levando a formação de úlceras de difícil cicatrização e passíveis de amputações devido à má circulação periférica do paciente diabético. Outro órgão muito atingido são os olhos. Pessoas com diabetes têm 40% mais chance de desenvolver glaucoma e 60% catarata. Tem também mais chance de pele seca, coceiras e infecções por fungos e bactérias. Depois de ouvir tudo isso, não há dúvidas de que o melhor é manter-se ativo e cuidar a alimentação para não desenvolver o Diabetes, não acha?

Agora, puxando um pouco para o meu remédio preferido, existem evidências científicas consistentes dos efeitos benéficos do exercício na prevenção e no tratamento do Diabetes Mellitus. Uma das doenças que mais cresce no mundo e que pode tanto ser prevenida, como a linha de frente do tratamento é o exercício físico!

Os exercícios atuam tanto na prevenção, principalmente nos grupos de maior risco (obesos e os familiares de diabéticos), como agem de forma específica sobre a resistência insulínica. Outros papeis importantes do exercício no quadro de Diabetes são a redução do peso corporal, que, por si só, já reduz o risco da doença, suas comorbidades como a hipertensão e a dislipidemia, e ainda diminui o risco cardiovascular.

Algo que pode ser um novidade para você: o melhor exercício para o controle da diabetes é aquele realizado com sobrecarga, como a musculação, o treinamento funcional e crossfit. Só caminhar vai ajudar um pouco, mas não muito.

Enquanto que na maioria dos casos as pessoas com pré-diabetes ou já diabéticos utilizam-se de caminhadas no intuito de controlar a doença, a melhor forma de fazê-lo é promovendo o aumento da massa muscular. O músculo maior e mais ativado possui mais receptores para entrada de glicose na célula e também aumentam o gasto energético corporal basal, necessitando de maior produção de energia intracelular. Portanto, para controlar a DM você precisa ficar forte! Você pode estar se perguntando: “Mas e as caminhadas?” Então, as caminhadas podem continuar acontecendo, melhorarão a circulação sanguínea e você pode contemplar a natureza e fazer um relex mental e só.

E um alerta indispensável para quem já faz tratamento para o diabetes: é muito importante o controle glicêmico antes e depois do exercício bem como o planejamento multidisciplinar da sua rotina de treinamentos. Se você é diabético não se aventure a fazer exercícios físicos sem uma boa avaliação prévia!

Agora se você quer mesmo passar longe dessa doença, é necessário que, o quanto antes, você faça escolhas alimentares mais adequadas, utilizando menos açúcar industrializado na dieta e buscando ingerir mais alimentos naturais, e, é claro, realizando exercícios de resistência.

Alimentação é o ponto chave para o estilo de vida saudável

Faça do seu alimento o seu medicamento!
O pai da medicina, Hipócrates, há séculos, escrevia sobre a alimentação como remédio, eu concordo plenamente. É tão interessante que a gente escolha a melhor roupa, o melhor carro, o melhor apartamento, e não escolha o melhor alimento para o nosso corpo! Você já parou para pensar nesse assunto?

Acredito que exitam duas situações chaves que nos fazem ter dificuldade de controlar nosso apetite e que têm contribuído para o ganho de peso excessivo cada vez mais presente, e maior, a cada década que passa: a alimentação ancestral e a industrialização da comida.

Os homens e mulheres na época das cavernas se alimentavam para se manterem vivos (ponto!). A alimentação ancestral realizada para sobrevivência os fazia ir atrás de alimentos diariamente, gastando muita energia para caçar e colher. O alimento tinha a conotação de nutrir o corpo e não como vemos hoje, servindo para diversos outros fins! Aliás, também podia ser utilizado em oferendas aos deuses, sendo venerado devido a sua indiscutível importância e talvez essa era a sua segunda utilização da comida nas épocas mais remotas. A disponibilidade de comida, muito menor, fazia do jejum parte do dia a dia e, a escassez de nutrientes, tornou o nosso metabolismo cada vez mais capacitado para reservar energia, já que não se sabia quando seria feita a próxima refeição.

A outra situação que explica nosso panorama atual é a grande mudança que houve nos últimos com a industrialização da alimentação. Tornar o alimento mais acessível e disponível motivou as fábricas a criarem formas para manter o alimento comestível por mais tempo. Assim surgiram os corantes, edulcorantes, conservantes, acidulantes e tantas outras substâncias que, se por um lado, aumentaram a validade dos alimentos, por outro, poluem nosso metabolismo de substratos não identificados por nosso corpo, gerando processos inflamatórios e finalmente doenças. Ademais, a comercialização de alimentos para consumo rápido, os “fast food”, viraram quase indispensáveis para as nossas rotinas corridas. Esse tipo de alimento costuma ser muito palatável, ou seja, rico em sabores marcantes (gordura e açúcar), o que produz ainda mais consequências desastrosas ao nosso corpo, promovendo ainda mais a reserva energética excessiva, já que esses alimentos são carregados de calorias.

Por essa história metabólica construída em gerações, de um metabolismo “guardador de energia”, chegamos ao nosso resultado atual, uma geração de crianças a adultos com sobrepeso/obesidade e uma enxurrada de doenças crônicas em processos de envelhecimento traumáticos.

Quanto mais calorias ingerimos, mais reserva energética criamos, mais as nossas células de gordura se preenchem, acionando o mecanismo de multiplicação e, assim, cada vez mais obesos ficamos. O pior é que nosso cérebro começa também a se acostumar com essa nova massa corporal e aumenta a sinalização para produção hormonal auxiliar na manutenção da ingestão calórica excessiva. A bola de neve está forjada! Os hormônios que provocam a sensação de saciedade estão suprimidos… agora o difícil é parar e restaurar uma sinalização adequada para controlar o ganho de peso.

E como fazemos para mudar esse cenário? O básico: escolher alimentos saudáveis que sirvam para nutrir nossa máquina e praticar exercícios físicos de forma regular, pela vida toda! Isso mesmo! Não se assuste! Entenda que nosso corpo é o reflexo do que fazemos com ele. Se pararmos de cuidar do que ingerimos e renegarmos a nossa essência de movimento, retornaremos ao acúmulo de energia e reganho de peso. Precisamos, todos os dias, ou, na maioria dos dias, fazer escolhas adequadas para os resultados que queremos alcançar.

Não posso deixar de ressaltar, também, que no processo de mudança do estilo de vida a alimentação, para mim, equivale a 70% do processo.

Comer bem para mim significa encher as nossas células de vitaminas, minerais, fibras, gorduras boas, carboidratos com alto valor nutritivo, proteínas saudáveis… A base para a formação dos nossos tecidos corporais está disponível nos alimentos, principalmente aqueles vindos da terra e não das prateleiras dos mercados.

Está mais do que na hora de começarmos a voltar as nossas origens e comermos de forma mais natural. Não estou jogando contra a produção industrializada de alimentos, acredito, inclusive, que tem bastante coisas boas lá, mas, nossa base alimentar definitivamente tem que ser com produtos in natura.

Por fim, o que você está colhendo hoje, sem dúvida, é reflexo das suas escolhas. E se você quer se ver/sentir diferente, é preciso mudar o que está te trazendo esse resultado indesejado. Mudar hábitos não é fácil, mas é bem possível.

Eu estou aqui para te ajudar! Conta comigo!

ATIVIDADE FÍSICA E CÂNCER DE MAMA

Em meados de 1990 a Fundação “Susan G. Komen for the Cure” criou o OUTUBRO ROSA, data celebrada anualmente para promover a conscientização, compartilhar conhecimento, e, despertar a atenção para a prevenção do câncer de mama que em 2020 afetou mais de 2,3 milhões de mulheres no mundo. Esse tipo de tumor é o mais prevalente entre as mulheres na população brasileira e, também, o que mais leva à óbito, 18.068 só no ano de 2019.
Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer) em 2020 cerca de oito mil casos de câncer de mama, no Brasil, tiveram relação direta com fatores comportamentais como o consumo de bebidas alcoólicas, excesso de peso, e o sedentarismo.
Hoje vou escrever para vocês sobre como o exercício físico pode ser um grande aliado no combate a vários tipos de câncer, vocês vão entender como um corpo fisicamente ativo pode se beneficiar ao ponto de reduzir o risco de sofrer de vários tipos de câncer ou ainda, para os pacientes que já trataram essa afecção, em reduzir as chances de recidiva.
Existe um grande corpo de evidências epidemiológicas que concluem que aqueles que participam de níveis mais altos de atividade física têm uma probabilidade reduzida de desenvolver uma variedade de cânceres em comparação com aqueles que praticam níveis mais baixos de atividade física.
Mais de 73 estudos observacionais entre cortes e casos-controle examinaram a associação entre câncer de mama e atividade física. Estes concluíram que existe uma associação estatisticamente significativa na redução do risco de câncer de mama entre 39% e 40%. Os tipos de atividade física que proporcionaram as maiores reduções no risco de câncer de mama foram as recreativas, domésticas e ocupacionais, com reduções de risco associadas de 21% e 18%, respectivamente (FRIEDENREICH, C.M., 2011). Ao considerar a intensidade da atividade física necessária para fornecer uma redução no risco de câncer de mama, tanto as de intensidade moderada quanto as vigorosas proporcionam reduções significativas no risco, na ordem de 15% e 18%. Agora, a magnitude da redução do risco de câncer de mama não aumenta proporcionalmente com maiores volumes de atividade física, ou seja, não é necessário treinar todos os dias em grande quantidade, mas sim, manter a rotina de ser ativo. Quanto a relação entre atividade física e os cânceres de mama de ordem genética/familiar, comprovou-se ao comparar mulheres com história familiar de câncer de mama que eram ativas, a redução de risco associada à atividade física na ordem de 1%, enquanto a redução de risco entre mulheres sem história familiar de câncer de mama é de 21%. Assim, mesmo que definidos geneticamente há uma chance de não sofrer deles se você for fisicamente ativa.
Você precisa ser fisicamente ativo! Não tenha dúvida que sua vida vai mudar!
Você sabia, também, que manter um nível ótimo de balanço energético (ingestão versus gasto calórico diário) está associado à prevenção primária do câncer, maior sobrevida após o diagnóstico e recorrência de câncer primário? (SCHMITZK, 2011; LYNCH B.M., 2011). Estar com sobrepeso, obeso ou fisicamente inativo contribuiu com 26% do risco total de desenvolver câncer colorretal e foi atribuído a 159.000 óbitos relacionados ao câncer desse tipo, no mundo, em 2001. Em um grande estudo de coorte prospectivo de mais de 900.000 adultos americanos, o aumento dos índices de massa corpórea (IMC) foi associado ao aumento das taxas de mortalidade para todos os tipos de câncer combinados e em vários sítios específicos, entre homens e mulheres (CALLE E.E., 2003). E, se não bastesse, homens e mulheres com os mais altos índices de massa corporal (IMC ≥ 40) têm 52% e 62% mais chance de morte por câncer, em comparação com aqueles com IMC <24,9.
Vejam só a importância de cuidar o consumo calórico e manter uma boa composição corporal? O que você está esperando para começar a fazer exercícios regulares e melhorar as suas escolhas alimentares?

Exercício físico regular estimula hormônios que podem contribuir para a prevenção do suicídio

Em 2014 a Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina organizaram pela primeira vez o “Setembro Amarelo”, mês do combate ao suicídio, um tema muito relevante já que são registrados mais de 13 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo, hoje afetando uma grande quantidade de jovens. Segundo relatório do CDC (Center of Desease Control), órgão americano de controle e doenças, em agosto de 2020, ¼ dos jovens entre 18 e 24 anos considerou seriamente o suicídio nos últimos trinta dias e, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), em 2019 houve 1 suicídio a cada 40 segundos, sendo a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
Como uma das alterações que mais contribuem para esses dados estão a depressão, transtornos de ansiedade, esquizofrenia e distúrbios por uso de drogas lícitas e ilícitas. Sem dúvida, nesse cenário, a depressão é a mais relevante atingindo 30 milhões de pessoas no mundo, e no Brasil apresentando-se com a maior taxa de incidência da América Latina (5,8% da população, ou seja, quase 12 milhões de pessoas). Nos últimos 16 anos, mortes advindas dos processos depressivos cresceram 705%! Ademais, quando vivenciamos dois anos de pandemia, onde o incremento de doenças psíquicas é fato observado em todos os centros de saúde, devido as perdas de diversas vidas, problemas financeiros e o isolamento social, é emergencial que se faça algo!
Entre as várias formas de prevenção, o exercício físico se encontra com uma perspectiva possível e eficiente, pois tem potencial de promover a secreção de substâncias neuromoduladoras cerebrais que, além de proteger contra o envelhecimento cerebral, são capazes de modular as respostas emocionais. Durante o movimento físico nosso corpo libera substâncias relacionadas ao bem estar que ajudam no controle do humor, ansiedade e insônia. Sem contar na melhora da auto estima! Você sabia que jovens que praticam exercícios regulares relatam menor quantidade de episódios de tristeza? E que as pessoas sedentárias apresentam maior prevalência de quadros depressivos?
Populações que praticam exercícios regulares também utilizam com menor frequência medicamentos antidepressivos, isso porque, esses medicamentos, na grande maioria das vezes, são utilizados para permitir que os neurotransmissores permaneçam disponíveis por mais tempo nas sinapses nervosas fazendo suas ações de modulação do metabolismo. A tristeza de longa data, a falta de vontade de fazer as coisas, a labilidade emocional, a dor crônica, podem reduzir a produção dos compostos do nosso sistema nervoso central, afetando não só o humor, mas a execução das nossas tarefas diárias e até mesmo dos processamentos cerebrais como a memória, a capacidade de concentração e o sono. Algumas pessoas necessitarão de medicamentos que possam substituir a nossa produção endógena devido a momentos de agudização da depressão e ansiedade, contudo, em longo prazo, podem utilizar o exercício físico regular como remédio, já que atuará, também, em nosso cérebro reproduzindo efeitos semelhantes.
E o contrário também é verdadeiro: o aparecimento de sintomas depressivos é maior nas pessoas que têm menos tempo dedicado as atividades físicas (KRITZ-SILVERSTEIN et al., 2001). O sedentarismo é um fator relacionado positivamente com a depressão (BLAY et al., 2007), sugerindo um efeito protetor do exercício para o surgimento dessa doença. Parece que a neurogênese no hipocampo adulto provocada pelo estímulo do movimento pode contribuir na manutenção de funções cognitivas (como a memória) e no tratamento de diversas doenças psiquiátricas como a depressão.
Você já pensou na hipótese de começar a se exercitar com frequência?
Para além do controle emocional, a mudança de estilo de vida desencadeada pela prática regular de exercícios físicos, impactará no metabolismo como um todo e ainda poderá contribuir para a redução do surgimento de outras doenças crônicas como a diabetes e a hipertensão. Portanto, pessoal, exercício físico deve fazer parte do tratamento da depressão, ansiedade e outros doenças neurológicas. Sendo assim, o exercício regular é remédio! Ele aumenta a produção de neurotransmissores e outros neuromoduladores como a serotonina que ajuda a regular o sono e o humor, as endorfinas que causam sensação de bem estar, euforia e aliviam as dores crônicas, dopamina que é analgésica e tranquilizante.
O exercício físico provoca no cérebro três ações: neurogênese, angiogênese e neuroplasticidade e, está comprovado que previne as doenças neurodegenerativas, auxilia na manutenção das funções cognitivas, melhora a qualidade de vida e das atividades da vida diária, melhora o humor e diminui episódios de ansiedade e depressão. Ele ainda é capaz de aumentar a liberação e a síntese de diversos fatores neurotróficos/neuroprotetores relacionados à melhor função cognitiva, entre eles o “Fator neurotrófico derivado do cérebro” (Brain Derived Neurotrophic Factor, BDNF), “Fator de crescimento insulínico” (Insulin-like Grow Factor, IGF-1), e, “Fator de crescimento endotelial cerebral” (Vascular Endothelial Growth Factor, VEGF).
Tem ainda alguma dúvida da ação que o exercício pode te proporcionar? Se movimentar é preciso.

Eu não gosto de fazer exercícios: o tabu do movimento.

Desde bem pequena o movimento faz parte da minha vida. Sempre fui daquelas crianças ativas que só parava para dormir (“capotava” na cama no final do dia!), como acredito que muitos de vocês também foram. A primeira tentativa da minha mãe de concentrar minhas energias em um esporte foi a matrícula no balé, podem imaginar que não deu muito certo… rsrs… mas ela foi insistente, e esperta, trocando em seguida de opção pela ginástica olímpica, aí sim foi o máximo! Em meio a muitos saltos e treinos de flexibilidade, força, agilidade eu acabei ficando comprida demais para as barras paralelas! Qual seria a opção agora? Novamente a matriarca, que sempre acreditou muito no exercício físico como o melhor tratamento para a hiperatividade e no esporte como uma excelente atividade para ensinar o trabalho em equipe, o respeito a determinação… conversou com o professor de basquete, que na época acabara de chegar dos Estados Unidos e havia montado uma escolinha para meninos, para que abrisse a oportunidade também para as meninas. No começo ele foi resistente, mas acabou achando que seria uma boa oportunidade, e foi. Dessa escolinha, a D’Chuá, formou-se a base da seleção gaúcha de basquete dos anos 90, e eu estava lá!

Por 15 anos da minha vida me dediquei ao esporte. Eram quatro horas diárias, em média, de treinos. Incontáveis finais de semana de campeonatos. Viagens, lesões, amizades, alegrias e tristezas… foi a minha grande escola da vida. Sem dúvida essa vivência toda me fez escolher a Educação Física e a Medicina do Esporte como a forma de traduzir para nossos clientes da Doctorfit a importância do movimento físico para a vida saudável.

Depois dessa breve introdução, entro no tema desse artigo: “Eu não gosto de exercício físico”! Quantas vezes já tive que ouvir de pacientes essa frase? Por que essa barreira tão grande com algo que já é sabido que fará um bem enorme a sua saúde? Sempre pergunto para esses clientes se eles foram incentivados pelos pais a praticarem exercícios quando pequenos e, pasmem, nunca ouvi de alguém que praticou exercício na infância, que não gosta de se exercitar! Então, em uma conclusão bem óbvia, observacional: não gosta de fazer exercício, quem nunca foi estimulado a fazer enquanto ainda era pequeno. 

Os adultos que recebo com história de treinamento físico na infância e adolescência estão com a memória as vezes um pouco apagada, em relação ao bem que fazia aquele movimento e, quando retornam à prática relembram as sensações e, por vezes, se tornam atletas novamente. Sem contar ainda a excelente história muscular que têm, isso mesmo, o resultado tanto de emagrecimento como de ganho de massa magra é infinitamente melhor naquelas pessoas que praticaram exercícios físicos quando crianças e adolescentes.

Por essa realidade que me esmero aqui em escrever esse texto, para despertar em você leitor, duas situações:

A primeira é sobre seus filhos. Não deixe de fazer por eles e com eles uma das melhores heranças da vida, incentivar e acompanhar a prática de exercícios físicos regulares.

A segunda é sobre você não gostar de exercícios. Se, por acaso, você não foi incentivado na infância e adolescência e não tem essa memória muscular, ainda há oportunidade de entender que esse “não gostar” na verdade é um “não ter a experiência” e que quando você se dedicar a iniciar o processo, independente da idade, você alcançará os resultados do movimento (psíquicos e estéticos). E, se você teve a experiência quando menor e depois de adulto acabou por priorizar outras esferas da vida, está mais do que na hora de voltar.

O exercício físico é remédio para a prevenção de diversas doenças advindas do processo de envelhecimento, é capaz de contribuir para o controle do estresse, é indispensável para o controle metabólico e uma das melhores escolhas para a sua vida, acredite.  

HIPOVITAMINOSE NO IDOSO


Nunca vi tantas vitaminas expostas nas farmácias como nos últimos meses. Depois que entramos na pandemia do COVID-19, a preocupação em melhorar a saúde fez com que muitas pessoas acreditassem que precisavam ajudar a imunidade consumindo mais vitaminas, principalmente as faixas etárias mais avançadas. Será que isso é verídico mesmo?
Suplementação vitamínica previne doença? Ajuda a melhorar o sistema imunológico?


Bom, vários estudos mostram que o consumo adequado de vitaminas é fundamental para a manutenção das funções orgânicas e que, algumas delas, como a C e a D, são importantes para a imunidade. Esses estudos, porém, não demonstraram uma clareza entre a quantidade de vitaminas deveria ser consumida, muito menos a forma de administração (oral, intramuscular ou endovenosa).
Múltiplos déficits vitamínicos são encontrados nos idosos, e não é raro ver essa população nas farmácias comprando complexos de vitaminas sem orientação médica. Aliás, ninguém deveria se automedicar, nem mesmo a suplementação de vitaminas!


Talvez você ainda não saiba que existe uma capacidade máxima de absorção de vitaminas por nosso intestino e, portanto, nem sempre consumir mais é melhor. A vitamina C, por exemplo, que a maioria das pessoas consume a forma oral efervescente de 1g, não conseguimos absorver mais do que 400mg por dia, na metabolização intestinal. Isso quer dizer que 600mg do seu suplemento está indo embora nas fezes.
Sobre a suplementação oral versus intramuscular de suplementos vitamínicos para hipovitaminose em idosos evidenciou que 39% da população, apesar de uma dieta aparentemente excelente e ingestão diária de complexos vitamínicos com doses recomendadas, apresentavam múltiplos déficits vitamínicos.


É possível, nestes casos, que a suplementação vitamínica via oral também não seja eficiente não somente devido à capacidade absortiva intestinal, como escrevi anteriormente, mas também devido aos processos de disbiose, muito comuns na população em geral e de alta frequência em idoso.
Portanto, se você está pensando em suplementar vitaminas, passe antes em um médico e faça uma avaliação metabólica para ter a sua necessidade bem estabelecida. E, além disso, discuta com seu médico a melhor via de administração.
Eu gosto muito da via intramuscular e endovenosa que pode ser feita somente uma vez ao mês e em alguns casos, a cada dois ou três meses. A absorção será maior e a comodidade de aplicar uma vez ao mês, sem risco de esquecer de tomar todos os dias. Além disso, é importante ressaltar que, quando falando em idosos, é comum nesse grupo a polifarmácia, sendo a inclusão de polivitamínicos mais um comprimido a ser ingerido diariamente.


Para essa população, da terceira idade, pode ser uma boa opção a suplementação via intramuscular ou endovenosa. Como confirmado no estudo de que comparou a ingestão oral e aplicação intramuscular de vitaminas e concluiu que uma única injeção de vitaminas pode manter os níveis ideais em quase 100% dos idosos por até três meses.
É isso, não se auto medique, primeiro procure saber do que o seu metabolismo está precisando e qual a melhor maneira de ofertar a ele as necessidades diagnosticadas.

Abaixo, a família das vitaminas do complexo B e os sintomas que podem aparecer devido ao seu déficit no metabolismo.

B1 – TIAMINA: sua deficiência pode causar fraqueza, fadiga geral e sintomas gastrointestinais, sono perturbado ou perda de memória.
B2 – RIBOFLAVINA: sua deficiência pode causar fraqueza, sensibilidade oral, coceira nos olhos, dermatite e anemia.
B3 – NIACINA: sua deficiência pode causar dermatite, fotodermatite, alopécia, fraqueza muscular, diarreia, depressão, ansiedade e perda de memória.
B5 – ÁCIDO PANTOTÊNICO: sua deficiência pode causar dormência, queimação nas extremidades (dismielinização), dermatite e diarreia.
B6 – PIRIDOXAL – PIRIDOXAMINA – PIRIDOXINA: sua deficiência pode causar anemia, irritabilidade, depressão, declínio cognitivo.
B7 – BIOTINA: sua deficiência pode causar erupções cutâneas, seborreia eczematosa, formigamento, queimação nas extremidades, depressão e letargia.
B9 – ÁCIDO FÓLICO + B12 – COBALAMINA: sua deficiência pode causar anemia megaloblástica, neuropatia periférica, anormalidades metabólicas, demência de Alzheimer e demência vascular.

COMO EU DESENVOLVO A DIABETES?

Falar que o sedentarismo/obesidade é o mal do século, que a depressão está em seu maior patamar de todos os tempos, atingindo todas as idades e classes sociais, que os problemas cardiovasculares são responsáveis por milhares de mortes por dia no mundo, para mim, parece “chover no molhado”. Por vezes tenho a sensação de que a audição das pessoas é seletiva demais. Os avisos estão por toda a parte, desde os noticiários até as histórias ocorridas com vizinhos e familiares… não é possível que ainda conhecemos tantas pessoas que não decidiram por mudar seus comportamentos em relação a saúde com objetivo de minimizar esses riscos, tanto de morte prematura como de um envelhecimento cheio de doenças. 

Como acredito que a minha missão nessa vida é ajudar as pessoas a fazerem melhores escolhas e motivar para que as mantenham pela vida toda, hoje vou escrever sobre uma das doenças que mais cresce no mundo e que pode tanto ser prevenida, como a linha de frente do tratamento é o exercício físico: DIABETE MELITTUS (DM).

Em 2018 a estimativa da OMS eram 16 milhões de brasileiros com este diagnóstico. Dados mais recentes divulgados pela ONG Diabetesatlas apontam que existem 463 milhões de adultos com diabetes em todo o mundo, sendo o tipo II responsável por cerca de 90% dos casos.

O diabetes está entre as 10 principais causas de morte no mundo, com quase metade ocorrendo em pessoas com menos de 60 anos.

E aí, você conhecia essa realidade?

Deixa eu te explicar um pouco sobre a fisiopatologia dessa doença.

A grande maioria das pessoas acredita que só terá diabetes aquelas pessoas que comem açúcar em excesso, mas isso não é verdade! A DM ocorre, em uma grande maioria de pessoas, por vários mecanismos alterados ao mesmo tempo. Comer açúcar em demais, lembrando que os carboidratos entram nessa balança pois se transformam rapidamente em açúcar quando absorvidos, causa uma resistência do nosso metabolismo em interpretar a informação de que tem excesso de glicose na corrente sanguínea. Para entender melhor esse mecanismo vou fazer uma analogia com o café. Se você é um tomador diário de café forte não seve sentir os efeitos colaterais do excesso de cafeína como taquicardia e falta de sono, porque os seus receptores corporais estão tão acostumados com a substância que não são mais sensibilizados, necessitando de cada vez mais café para você ter esses efeitos estimulantes. Na diabetes os receptores celulares não estão mais sendo ativados pela insulina, da mesma forma que eram antes, para abrir a porta para a entrada de açúcar para dentro da célula, fazendo com que a glicose aumente de concentração na corrente sanguínea. Esse mecanismo alterado damos o nome de RESISTÊNCIA À INSULINA, ou seja, a redução da captação de glicose para os metabolismos intracelulares.

A consequência dessa falha reflete no pâncreas, nosso órgão responsável por secretar a insulina através de suas células ß-pancreáticas, que com o passar do tempo começa a ter a sua secreção deteriorada. O final dessa falha é a necessidade de começar a usar a insulina exógena através de injeções diárias para o controle da glicemia, já que seu corpo vai parar de produzir a quantidade necessária para seu funcionamento.

Os mecanismos interligados relacionados a falta de insulina para sinalizar a abertura dos receptores celulares ou receptores sem mais sensibilidade para ser abrirem, causam um acúmulo de glicose no sangue e falta de açúcar dentro das células. Isso mesmo, a corrente sanguínea estará com altas concentrações de açúcar, porém as células estarão sinalizando para nosso metabolismo que estão precisando de açúcar para produzir energia! Olha que situação difícil! Nesse momento teremos um aumento da produção hepática de açúcar (neglicogênese – o fígado utilizará outros substratos como a gordura para formar glicose) aumentando ainda mais a quantidade de glicose no sangue. Os rins começaram uma jornada intensa de reabsorção de açúcar, ou seja, não deixarão que moléculas de glicose sejam eliminadas pela urina, trazendo-as de volta ao sangue circulante. Aumentam também outros mecanismos de lipólise (quebra de gordura para formar glicose) e por isso diabéticos descontrolados ou muito avançados costumam perder muito peso em pouco tempo.

Ainda se observa o aumento da produção de glucagon, um hormônio responsável por buscar mais açúcar no metabolismo e jogar na corrente sanguínea aumentando as concentrações de glicose. E para completar, teremos a redução dos efeitos incretínicos, ou seja, o estímulo dos hormônios produzidos pelo trato gastrointestinal e liberados quando ingerimos alimentos e estes chegam ao intestino, não são mais tão eficientes para sinalizar a necessidade de secreção de insulina.

Viram só? São muitos mecanismos que contribuem para o mal controle do açúcar corporal. Claro que o papel do excesso da ingesta vai aumentando a chance dessas alterações ocorrerem. Portanto, preste atenção na informação abaixo para o diagnóstico do pré-diabetes, o melhor momento para começar a tratar com bom prognóstico.

Diagnóstico do PRÉ-DIABETES

Glicemia de Jejum entre 100-125

Teste de tolerância à glicose entre 140-199 (após 2 horas)

Hemoglobina glicada entre 5,7-6,4%

Agora se você quer mesmo passar longe dessa doença, é necessário que, o quanto antes, você faça escolhas alimentares mais adequadas, utilizando menos açúcar industrializado na dieta e buscando ingerir mais alimentos naturais, e, é claro, realizando exercícios de resistência.

Esse ponto sobre o exercício físico é fundamental!!!

Enquanto que na maioria dos casos as pessoas com pré-diabetes ou já diabéticos utilizam-se de caminhadas no intuito de controlar a doença, a melhor forma de fazê-lo é promovendo o aumento da massa muscular. Isso mesmo, treino resistido, com cargas. O músculo maior e mais ativado possui mais receptores para entrada de glicose na célula e também aumentam o gasto energético corporal basal, necessitando de maior produção de energia intracelular. Portanto, para controlar a DM você precisa ficar forte! Você pode estar se perguntando: “Mas e as caminhadas? ” Então, as caminhadas podem continuar acontecendo, melhorarão a circulação sanguínea e você pode contemplar a natureza e fazer um relex mental e só.

PARA DM, MÚSCULOS FORTES!

Boa semana.

Dra. Clarissa Rios

CRM 10539/PB

IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO FÍSICA

Agende sua Avaliação Física

Somos todos da mesma espécie, porém diferentes em muitos aspectos. Cada indivíduo traz em seu código genético informações de outras gerações e essas são transformadas por nossa exposição ambiental. Por esse “pequeno” detalhe, não podemos imaginar que uma mesma receita de nutrientes e treino podem ser utilizadas, igualmente, para várias pessoas e que essas terão o mesmo resultado, não é mesmo?
Então, ao invés de começar o seu processo de mudança de estilo de vida e emagrecimento replicando a dieta da vizinha ou copiando o treino da “blogueira” do Instagram, faça uma avaliação da sua composição corporal e aprenda por qual caminho iniciar. A avaliação da composição corporal deve ser uma das primeiras atitudes para quem busca realizar um treinamento específico para as suas necessidades, bem como é fundamental para a checagem de resultados e propostas de ajustes de treinos. Treinar sem avaliar é “fazer qualquer coisa”! Esse tipo de atitude reduz muito as chances de atingir os resultados almejados. Cada um com seu treino, para as suas necessidades específicas, esse é um dos princípios de treinamento esportivo: individualidade biológica. Quem treina igual a todo mundo e sem avaliação criteriosa da composição corporal não está fazendo o melhor treino.


Vou contar aqui um pouco da história da avaliação da composição corporal, que remonta de séculos passados. No início no século XIX temos registros das primeiras tentativas de entender do que era composta nossa massa corporal. Através de autopsias eram avaliados e pesados os componentes corporais. No final do século XX a curiosidade em relação a esse tema aumentou muito, levando cientistas a desenvolverem vários métodos preditores, mas, antes de escrever sobre eles, vou discorrer um pouco sobre o que compõe o nosso peso. Podemos dividir nossa massa corporal em: massa livre de gordura (massa muscular, massa óssea, massa de órgãos), massa gorda, líquidos corporais (plasma sanguíneo, água e linfa), minerais, proteínas, células e bactérias. Para o levantamento dos componentes podemos utilizar os métodos: direto, indireto e duplamente indireto.
O primeiro só pode ser realizado pós morte, então, deixaremos de lado (rsrsr). Entre os indiretos temos: Pesagem Hidrostática, Dexa, Pletismografia, Ultrassonografia, Ressonância Nuclear Magnética e outros como a Hidrometria (água duplamente marcada com isótopos), Análise de Ativação de Nêutrons (NAA), Potássio Corporal Total (TBK) e Excreção Urinária de Creatinina, todos eles dependentes de análises bioquímicas de sangue ou excreção urinária de 24 horas. Todos esses métodos são mais utilizados em pesquisas científicas e pouco úteis para o dia a dia da avaliação corporal em clínicas médicas ou academias, devido aos seus alto custos. Acredito ser importante destacar aqui um deles, o Dexa (Absortometria Radiológica de Dupla Energia), mais conhecido como EXAME DE DENSITOMETIA ÓSSEA.
Ele é um exame realizado de rotina para mulheres em faixas etárias acima de 40 anos, na busca de diagnósticos de osteopenia e osteoporose. É uma técnica e escaneamento que mede diferentes atenuações de dois raios “X”, que, passando por nosso corpo, medem três componentes corporais: massa de gordura, massa livre de gordura e massa óssea. Apresenta custo elevado e exposição à radiação, porém é muito fidedigno e fácil de realizar. Aliás se você já fez algum dia uma densitometria óssea, no resultado deve constar o percentual de gordura corporal, espia lá!

Os métodos mais frequentemente utilizados para a avaliação da composição corporal são os duplamente indiretos, pois, são menos rigorosos, apresentam melhor aplicação prática, menor custo financeiro, podem ser aplicadas em ambiente de campo e clínico e também utilizados em grande escala (avaliar grupos grandes de pessoas em pouco tempo). Entre eles os mais comuns são a bioimpedância e a aferição de dobras cutâneas e perímetros. Estes três métodos são utilizados por nós na DoctorFit, que temos um cuidado especial com o procedimento de avaliação física, já que entendemos a sua importância para definição e ajustes de treinos, bem como para o controle dos resultados.

O método mais conhecido, sem dúvida é a avaliação das dobras cutâneas de tecido adiposo, aquele que se faz com o plicômetro (a do beliscão como o pessoal costuma dizer!). O pinsamento e medição realizada em milímetros em diversos pontos corporais tem como resultado uma somatória de gordura subcutânea que precisa ser adicionada a equações que irão predizer o percentual de gordura corporal existente. Como essas equações foram produzidas a partir de populações diferentes e de vários países do mundo, é comum um fator de erro grande, então a escolha da equação mais adequada para você deve ser feita pelo profissional que está avaliando, com a intensão de resposta mais fidedigna. É um método avaliador dependente, então deve ser sempre executado pelo mesmo profissional, de preferência na mesma hora do dia, com o mesmo equipamento e, com certeza, utilizando sempre a mesma equação, no intuito de aumentar a precisão que pode chegar a um fator de erro de 16%.
A bioimpedância tem se tornado mais conhecida nos últimos anos, é uma forma não invasiva de avaliação da composição corporal, que eu gosto muito. Este método é realizado a partir da impedância elétrica que está baseada na condução de uma corrente elétrica indolor, de baixa intensidade que, aplicada ao organismo por meio de cabos conectados a eletrodos ou superfícies condutoras, que são colocados em contato com a pele. A impedância, dada pelos valores de reactância e resistência, é baixa no tecido magro, onde se encontram, principalmente, os líquidos intracelulares e eletrólitos, e alta no tecido adiposo. A partir dessa análise é calculado os pesos de tecido livre de gordura (proteínas, minerais, água corporal, massa óssea e massa muscular esquelética) e o tecido de gordura, tendo como resultados os valores absolutos em quilogramas, além, do percentual de gordura estimado. Um método excelente, se realizado em equipamentos de boa precisão (geralmente essas balanças mais simples, de uso doméstico, que são compostas por impedâncias, podem não ser precisas, então tenha cuidado para praticar esse controle da composição corporal sozinho). Esse método deve ser realizado com o paciente em jejum de pelo menos 3 horas, após micção, sem uso de café ou outros diuréticos nas últimas 12 horas antes do exame, com roupas leves (a roupa tem alta reactância e pesa como gordura), preferencialmente em dia off de treino.
Existem equipamentos bipolares, quadripolares e octapolares. Os bipolares são o de menor precisão. Para esses temos dois tipos: as balanças onde o indivíduo sobre e a corrente elétrica passa de uma perna para a outra, avaliando o percentual de gordura dos membros inferiores e, a partir desde, estimando o tecido de gordura dos membros superiores e as impedâncias de mão que de forma invertida avaliam a composição corporal dos membros superiores e estimam a concentração dos tecidos nos membros inferiores. Dessa maneira o fator de erro da análise aumenta muito, principalmente para as pessoas que tem maior concentração de gordura no quadril e coxas e pernas. As quadripolares melhoram a aferição porque estimam membros superiores e inferiores. Já as octapolares podem estimar separadamente todos os membros e ainda o tronco, sendo possível, portanto, a análise da gordura central (visceral), aquela relacionada diretamente com o risco de doenças cardíacas.
Não deixe de realizar a sua avaliação física pelo menos a cada três meses de treino e seus resultados poderão ser muito melhores.


Ficou com dúvida? Deixe suas questões nos comentários!

EXECÍCIOS FÍSICOS APÓS INFECÇÃO POR COVID-19

Tiro Uma Jovem Mulher Musculosa Sportswear Trabalhando Com Personal Trainer  — Stock Photo © MilanMarkovic #416137324

Se você foi infectado pelo SARS-COVID 2 e desenvolveu a doença pode estar se perguntando se pode e quando deve retomar, ou não, as atividades físicas corriqueiras e ao treinamento físico de moderada e alta intensidade. Este artigo vai direcionar você quais cuidados devem ser tomados no pós-covid em relação ao exercício físico.
Cientistas pelo mundo todo, têm estudado o exercício como fator preventivo para o desenvolvimento de diversas doenças crônicas e também agudas como o COVID. Já se tem evidências de que ele é uma ferramenta importante no desenvolvimento da imunidade. Não se sabe ainda, exatamente, os mecanismos através dos quais o exercício interfere positivamente reduzindo o mecanismo de cascata inflamatória, protegendo nosso corpo de doenças, porém, o Colégio Americano de Ciências do Esporte (ACSM) através do projeto “Exercise is Medicine”, tem acumulado evidências de que o exercício é remédio para o tratamento e prevenção de diversas doenças.
A infecção pelo SARS-COV 2 é multifacetada, diferente em cada organismo e com desfechos ainda não bem definidos. Especula-se que pode haver uma relação genética que em alguns indivíduos protege do desenvolvimento de formas graves e de outros proporciona sintomas agressivos e evoluções rápidas. E, ainda, já se sabe que após passar pelo ciclo do vírus, mesmo que de forma branda, muitas pessoas ainda apresentarão sintomas por vários meses. A este fato está se nomeando “Síndrome pós COVID-19”. Entre os sintomas persistentes temos: fadiga aos pequenos esforços, fala de ar, tosse seca persistente, dores articulares, musculares e no peito, alterações de ritmo cardíaco, glicemia e pressão arterial, perda ou disfunções do olfato e paladar, problemas de memória, concentração e sono, erupções cutâneas ou queda de cabelo.
Embora saibamos que os pulmões são o órgão alvo da infecção por SARS-COV 2, o vírus é capaz de se acumular em diferentes órgãos, incluindo o coração, vasos sanguíneos, rins, intestino, cérebro e as terminações nervosas musculares. Inclusive, um recente estudo realizado com eletroneuromiografia e biopsia da musculatura intercostal encontrou uma elevada concentração do vírus nessa localização, o que dificulta o impulso nervoso, bem como, fadiga essa musculatura, acarretando em uma sensação de falta de ar, que na verdade é uma dificuldade de expansão da caixa torácica (devido ao acometimento da musculatura que auxilia na respiração) e não, efetivamente, a disfunção da troca gasosa.
Por essas e outras situações relevantes da infecção pelo SARS-COV 2, alguns ajustes serão necessários para o treinamento físico pós covid-19.

Segue abaixo as recomendações atuais:

  1. Em curso do quadro viral não realizar esforços físicos de moderada ou alta intensidade, permanecendo em repouso domiciliar, independente da gravidade dos sintomas.
  2. Com sintomas brandos limitar-se a caminhadas leves com períodos de descanso, em domicílio, nos primeiros dias e, se boa evolução, a passar para exercícios de mobilidade articular, e aumento do tempo de caminhada. A partir do 10º dia, se permanência dos sintomas leves, retomar a prática de exercício físico com supervisão do profissional de educação física.
  3. Com sintomas moderados (presença de tosse, fadiga, falta de ar ou febre), não realizar esforços físicos, restringindo-se as atividades de higiene pessoal e demandas de baixa energia em domicílio. Qualquer sinal de piora no quadro necessitará de avaliação médica em unidades hospitalares. Se houver evolução gradativa para melhora, após uma semana do final dos sintomas, retomar com os esforços de baixa intensidade, preferencialmente com exercícios respiratórios, ativação muscular e aeróbicos leves (caminhada, corrida ou exercícios aquáticos).
  4. Com sintomas graves [pacientes que necessitaram de oxigenioterapia e internação hospitalar] deverão retornar as atividades de baixa intensidade somente após 30 dias do final dos sintomas e após reavaliação médica. Os exercícios deverão ser progressivos em intensidade e volume, respeitando as condições de base e os sintomas persistentes. Não se deve voltar a realizar esforços físicos sem avaliação médica e sem acompanhamento de um profissional.
  5. Para indivíduos com altos níveis de exercício físico, prévios à infecção, independente da gravidade dos sintomas, é indicada avaliação médica com cardiologista, realização de exame de esforço físico supervisionado (teste ergométrico ou ergoespirométrico), e retorno ao treinamento com redução de 30% do volume e 50% da intensidade em que se encontrava antes da doença. A progressão do treinamento também deve ser realizada em uma escala mais branda do que de costume.

Estas são algumas considerações importantes que devem ser levadas em consideração.


Forte abraço a todos.